Dentro da mística judaica (a Cábala) e do folclore das comunidades asquenazim da Europa Oriental, a morte nem sempre é o final da jornada para a alma. Às vezes, uma alma está tão carregada de pecados, ou tem uma tarefa tão inconclusa e desesperada, que não pode entrar no Gehena (purgatório) nem ascender ao Jardim do Éden. Fica presa entre mundos, vagando como um espírito atormentado. Essa entidade é conhecida como Dybbuk, que provém do hebraico 'davel', que significa 'aderir' ou 'aferrar-se'.
A posse por um Dybbuk é aterradora e teatral. A vítima começa a falar com a voz do falecido, às vezes em idiomas que não conhece ou com conhecimentos que não deveria ter. O espírito não se esconde; grita suas demandas, revela os segredos sujos da comunidade ou exige justiça por um crime cometido contra ele em vida.
Para expulsar um Dybbuk, não serve um exorcismo ao estilo de Hollywood com água benta. É necessário um 'Bet Din' (tribunal rabínico). Um grupo de dez homens judeus (minyan) liderados por um rabino piedoso ('Baal Shem') deve rodear a vítima. A cerimônia é um julgamento legal cósmico. O rabino entrevista o espírito: 'Quem é você? Por que está aqui? Qual pecado cometeu ou qual injustiça sofreu?'. O objetivo não é apenas expulsar o espírito, mas 'curá-lo' (Tikún), retificar o que o ata à terra para que possa seguir seu caminho em direção à morte.