O 'Homem do Saco' é a figura arquetípica do medo infantil na Espanha, utilizada por gerações para induzir obediência. 'Comporte-se bem ou virá o Homem do Saco e o levará', é a ameaça que ressoa na memória de milhões.
A lenda se alimenta de casos reais de sequestradores e assassinos, mas o mais infame é o crime de Gádor (Almería) em 1910. Naquela época, existia a crença popular e absurda de que o sangue e a gordura ('manteca') das crianças saudáveis podiam curar a tuberculose, uma doença mortal e comum então.
Com o tempo, a figura do criminoso real se difuminou e se converteu no monstro do folclore: um homem velho, de aspecto andrajoso e olhar torvo, que vagueia pelas ruas ao anoitecer com um saco de serapilheira ao ombro onde mete as crianças que se afastam de seus pais ou que desobedecem.
A diferença dos fantasmas etéreos, o Homem do Saco é aterrorizantemente físico e humano. Representa o perigo do estranho, do predador que aceita nos limites da segurança do lar. É uma lenda que nasce da brutalidade da ignorância e que se transformou em ferramenta pedagógica do medo.

